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Um porto seguro! - FROIEN FARAIN




Para orientar os futuros imigrantes, o Froien Farain não mediu esforços e chegou a anunciar nos jornais Ídiche da Rússia, Romênia e Polônia a respeito de suas atividades no Rio de Janeiro, oferecendo ajuda a qualquer imigrante, indicando seu endereço nessa cidade.

Assim, havia imigrantes que já chegavam da Europa sabendo que poderiam se dirigir ao Froien Farain para obter ajuda e encaminhamento em seu novo lar.


A estratégia era sempre a mesma: ajudar de forma que ninguém ficasse dependente da entidade, dando ao necessitado o primeiro impulso para que pudesse cuidar de sua vida com independência.


Os recém-chegados ficavam logo sabendo que tinham um porto seguro no Froien Farain.

Uma outra importante atividade era esperar, orientar e tomar conta das senhoras judias procedentes dos navios da Europa, já que não era raro elas se perderem de seus maridos já instalados no Brasil.


Assim, graças à atenção permanente da comissão, muitas famílias foram auxiliadas no Ishuv. Em 1946, quando a Segunda Guerra terminou, imigrantes do mundo inteiro chegaram ao Brasil. O Froien Farain, que tinha uma árdua tarefa no recebimento desses imigrantes, dividiu-se em comissões.


Uma dessas comissões recebia imigrantes e os levava a um hotel previamente contratado pelas Damas, na rua Frei Caneca. Depois de acomodá-los, era preciso direcioná-los na procura de trabalho. O que já era feito por outra comissão. Havia ainda uma terceira comissão que ficava de plantão na sede do Froien Farain para qualquer tipo de emergência.

De acordo com o depoimento da voluntária do Froien Farain, Rosa Lerner, que pertencia à comissão de recebimento do navio “era muito duro receber as pessoas que passaram pela guerra. Necessitavam de uma palavra boa, de calor humano que as Damas Israelitas se esforçavam para lhes oferecer”.


Entre muitos casos, Rosa Lerner citou a de uma senhora francesa que chegou sozinha ao Brasil, pois tanto o marido, como o único filho, havia morrido na guerra, junto com os demais familiares.


Procuramos fazer o máximo por essa senhora e por outros também. Ela não arrumou trabalho e ficou nossa dependente por anos. Um dia ela sofreu um infarto e foi socorrida por nosso médico. Depois de vários exames constatou-se uma doença grave no coração. Ela criou uma ligação forte conosco do Froien Farain, e comigo em especial, porque a acompanhei a todas as visitas médicas e exames especializados. No final foi indicada uma operação urgente de coração. Era a segunda cirurgia desse tipo feita no Rio de Janeiro. Foi feita num domingo no Hospital da Beneficência Espanhola na Rua do Riachuelo. Ela era tão ligada a mim que não queria deitar na maca se eu não entrasse com ela na sala de operação. Foi feita a sua vontade e eu a acompanhei até a sala de cirurgia. A cirurgia foi feliz e essa senhora viveu por mais dez anos, relatou Rosa Lerner.


Fonte: https://froienfarain.org.br/noticia-detalhe/102/um-porto-seguro

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